O início do ano de 2017 não tem sido fácil, mas o lançamento físico da minha obra (In)Verdades, o apoio dos parceiros-amigos literários (Pam, Bruna e Bruno) e algumas conquistas diante do reconhecimento de uma boa estória de representatividade, em forma de release do livro no Escrev´Arte e no formato de uma entrevista no canal Em sua Estante.

Ao decidir trilhar esse caminho, eu sabia que ser autora independente seria difícil, mas o que descobri infelizmente é que falar em representatividade e diversidade pode tornar tudo ainda mais complicado e isso me chamou a atenção.

Acho que a parte mais chata de tudo isso foi ter descoberto que às vezes quem fala de diversidade, quer falar de uma diversidade que esteja em voga, destacada na mídia, segura em likes, coraçõezinhos e não de um livro de uma mulher negra que resolveu bancar uma produção literária independente sobre isso e para além disso. E aqui vale citar o “nepotismo literário” que é quando se dá espaço para o amiguinho ou amiguinha divulgar o que for quando quiser a qualquer tempo, ou seja, se você chegou agora e apresenta uma proposta de forma séria, sem tapinha no ombro virtual e sem seguir a tática de “vire amiguinho antes para divulgar depois”, hummmm… você não vai chegar a lugar nenhum com essas mídias.

Não vou mentir, isso me chateou muito pois percebi uma hierarquia de interesses onde diversidade tem etiqueta e sendo assim, vale muito a pena falar mais de uma do que de outras, e diante disso fui descurtindo páginas e saindo de vários grupos que considerava, pois percebi que não jamais terei talento para as táticas acima, exceto apresentar o meu trabalho com seriedade e esperar do outro lado igual tratamento, e se depois disso vier a amizade, ótimo, pois sei que serei tratada com objetividade em relação ao que apresentar.

Mas não poderia deixar de comentar outra coisa que percebi, os debates nos canais de literatura nacional também estão jogando para escanteio o autor/a autora independente e sem chance de chute para a área do gol. Estamos à margem do grande jogo e nem posso dizer que isso se deve à falta de interesse do leitor, pois temos um problema crônico existencial, não é fácil nos achar, o que significa que nossas postagens alcançam alguns, mas isso não é o suficiente, precisamos estar no mapa.

Pois é… avaliando o caminho até aqui, as decepções e os ganhos, percebi que poderia e posso ir além, mas não sozinha. Compreendi que precisamos persistir na lembrança para além de uma publicação, um livro, precisamos ser todos e um ao mesmo tempo.

Isso tem muito a ver com a filosofia Ubuntu, um pensamento africano de coletividade e respeito que pode ser resumida em uma frase que a acompanha…

 

“Eu sou porque nós somos.”

Ubunto (filosofia) Ubuntu é uma filosofia africana, presente na cultura de alguns grupos que habitam a África Subssariana, cujo significado se refere a humanidade com os outros. Trata-se de um conceito amplo sobre a essência do ser humano e a forma como se comporta em sociedade.

 

E foi aí que vislumbrei que posso dar a minha contribuição a uma possibilidade mais ampla e justa para todas e todos que produzem literatura independente. Ainda não posso falar do que se trata, mas estou muito animada e será algo incrível, de verdade.

As únicas dicas que posso dar é a de que o nome da proposta tem 9 letras, que a filosofia africana Ubuntu a permeia e que todos nós que produzimos literatura independente, fragmentados no mundo cibernético vamos ganhar o nosso lugar, juntos.

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