Esse teste surgiu em 1985 quando a cartunista Alison Bechdel, ativista lésbica, lançou uma tira com personagens debatendo a presença feminina em filmes. De imediato você pode pensar que muitas produções passam nesse teste, mas ao tentar responder as perguntas, fica óbvio que não é bem assim.

Essa é a tira que deu origem ao teste que é usado amplamente desde então…

E as perguntas originais são as seguintes:

  • O filme tem duas ou mais mulheres que possuem nome?
  • Essas duas mulheres conversam entre si?
  • O assunto da conversa é algo que não seja homem?

E é aí que percebemos… muitos filmes não passam nesse teste, mas aqui vale uma nota, não julgue uma conversa sobre trivialidades algo relevante, pois uma coisa que percebi na tira acima foi que há um tom de ironia sobre duas mulheres conversando sobre monstros, logo entende-se que a conversa entre elas deve ter a ver com a trama, sua sobrevivência, uma boa ideia ou algo assim.

E para exemplificar, no novo Star Wars ou no Vingadores, quantas vezes as personagens femininas conversam? Será que não tinha nada para elas conversarem? Sobre a Resistência? Espionagem? Porque os homens tem diálogos de sobra? Vamos combinar que isso é estranho… mas não estou dizendo que esses filmes não são legais ou que não tem representatividade feminina, mas fica a pergunta:  Jura que não dava para ter feito melhor?

E nos livros? O que lemos? Ih… não está bom não, nada bom, a verdade é que temos protagonistas femininas, mas isso não quer dizer que ela faça realmente falta, como naquela “sacada” num episódio da série The Big Bang Theory, onde a Amy diz que o filme  Indiana Jones e a Arca Perdida poderia passar sem ele, não vejo sempre a série, mas vi esse dia e foi hilário, exceto por um detalhe que prefiro esquecer, mas pelo o que vi o pessoal diz que não, pois foi ele que acertou o lugar da escavação, mas será que eles não iam perceber isso mais cedo ou mais tarde?

Esse é um exemplo, li esses dias um livro que a personagem feminina só servia para apontamentos na estória e que na verdade o “suspense” já estava resolvido ao redor dela através de dois homens disfarçados e nem no momento onde sua vida fica por um fio ela  tem papel de protagonismo, sendo salva pelo cara legal com que terá um relacionamento.

Temos muito mal exemplos, muita coisa que é escrita no ápice sem qualquer critério do pseudo escritor ou escritora em busca do seus “15 minutos de curtidas”, dá uma enorme tristeza nos grupos literários onde ultimamente a minha maior ação tem sido clicar no botão direito do mouse e escolher “Ocultar tudo de…”

É uma enxurrada de livrecos que romanceam relações abusivas 2x, na “estória” com aspas e na escrita com detalhação da agressividade, o não que diz sim, os gemidos, etc. coisas que dão uma sensação muito ruim, isso sem contar as que sofrem da “Sindrome da Salvação” que sempre resgatam o cara mau com o seu amor, super amor e pior que isso é ver leitoras se dizendo apaixonadas por estes personagens, isso assusta, pois por mais que seja ficção, sei lá, dá uma sensação ruim.

E não podemos deixar de citar os livros que tem protagonista que sequer tem o nome ou menção na capa do livro, assim como na resenha. Isso não te soa estranho, qual o motivo?

Esses são exemplos de livros que dependendo do seu olhar, passariam ou não no teste Bechdel, mas o que considero o mais importante é que estamos falando sobre isso, precisamos falar sobre isso e parar de aceitar porque apareceu e está bom. Não, não está nada bom.

E agora chegamos a pergunta que está na sua cabeça…

E Brasil 2408? (In)Verdades passa no teste?

Essa eu respondo muito feliz, SIMMMMMMMM!!!

Para quem ainda não conhece a obra, essa é a PRIMEIRA DUOLOGIA de uma HEROÍNA NEGRA na LITERATURA NACIONAL DE FICÇÃO.

É isso mesmo, temos a Ena, uma mulher negra, forte que almeja se tornar uma oficial das Forças Distritais do Brasil (séc. 25)

Ainda vou fazer um post contando como fiz a capa.

Temos como coprotagonista a Naná, lê-se Nana, uma mulher indígena que também deseja seguir esta carreira.

E temos o Wadei, um jovem negro que usa prótese em ambas as pernas e que fecha o trio que vai mudar o futuro do país.

E temos outras personagens que ocupam lugar de destaque e fazem girar a trama, tem diversidade de sobra, incluindo uma personagem LGBT, mas o foco de todas elas são suas vidas e legados, nos deixando orgulhosas. Essas sim são para se apaixonar!

 

E vamos às perguntas:
1 – O livro tem duas ou mais mulheres que possuem nome?
Sim,  o livro tem mais de 10 personagens femininas e mais de 6 em posição de protagonismo, coprotagonismo e destaque, mas não posso dar o número exato senão vou dar spoiler.

 

2 – Essas duas mulheres conversam entre si?
Sim, temos conversas familiares, sobre trabalho, a trama, elas comandam a maioria dos momentos mais complexos, misteriosos e tensos. U-hu!!!

 

3 – O assunto da conversa é algo que não seja homem?
Até tem, mas não num contexto romanceado e acabou, que é o questionamento que a pergunta levanta, pois a época do teste nos evidencia isto.
As conversas entre as personagens são consistentes, assim como as suas falas abertas ou quando elas dialogam diretamente conosco.

 

E o resultado do teste é…

E para você que deseja conhecer a obra, disponibilizei 4 capítulos online em pdf, mobi e epub para que tenha a chance de ler e ver que a diversidade, a representatividade feminina é mais que possível.

Prólogo + 4 capítulos
em pdf – https://goo.gl/J0SJjU
em epub – https://goo.gl/SDA4nm
em mobi – https://goo.gl/7Onhu5.

 

Leia o artigo que inicia a série – 8 Olhares que vão desnudar o seu livro.

Livro disponível em e-book e fisíco.

Comentários

Comentários

comentários