Teste Ellen Willis: Quando a troca de gênero explicita algo mais.

E lá vamos nós para o segundo teste, o Ellen Willis, não consegui muitos dados sobre ela, apenas que é jornalista, mas independente disso vamos descobrir se mudar o “ponto de vista” deixa tudo diferente.

Esse teste consiste numa única pergunta…

 Se mudarmos o gênero da personagem, o filme
segue fazendo sentido?

É uma boa pergunta, pois como diz o ditado “pimenta nos olhos dos outros é refresco” e se formos pensar nisso, quantos filmes “ficariam estranhos” aos olhos de muita gente, pois o normal é uma mocinha gritando a todo e todo o tempo.

Imagine só o filme Indiana Jones mudando para Indiane Jane (kkkkk) e então teríamos uma mulher descobrindo as pistas, pulando de jipes e um mocinho gritando o tempo todo.

E então você pensa, tudo bem, não faz diferença, mas aí eu te pergunto – Quantas vezes você viu o contrário?

Pois é… não vemos, eu diria que é muuuuito difícil, pois o objeto frágil é sempre a mulher que fica gritando até quando não faz sentido.

Mas o foco do teste-pergunta é o protagonista/a protagonista, como seria se mudássemos o gênero? Como o nosso “normal” lidaria com um filme chamado Meninos Maldados, onde ao invés de uma mulher de blusinha branca toda molhada e se esfregando no carro fosse um homem?

Ah… tenho uma ótima agora, e naquele filme Conselheiro do Crime, onde a personagem da Cameron Diaz literalmente … com o carro e o personagem do Bardem fica loucão, agora inverta na sua cabeça, coloque o cara fazendo … isso aí que você pensou. Quantos homens sobrariam na sala de cinema? Olha só… esse poderia ser até um experimento.

Já o novo Caça-Fantasmas (2016) tem um monte de espetadas/inversões quanto a isso. No início temos o rapaz na casa da fantasma que diz não ter gritado fininho à Abby, temos o secretário bonito e burro, as colegas da Erin fazendo piada com a performance do seu ex que fingiu não a conhecer quando foi demitida, o responsável do teatro. Resumindo… a resposta que a pergunta deseja que seja respondida é – Se a troca do gênero (masculino, feminino, LGBT) influi na linha continuada do filme/produção? Você consegue perceber se há estereótipos envolvidos?

Óbvio que nem todos os detalhes ou trocas podem ser concebidas, mas adaptação é para isso, ajustar.

E na literatura? Dá para aplicar esse teste?

Claro que sim e com certeza acharíamos muita escrita que ficaria estranha se ao invés de uma mulher fosse um homem, não pelo contexto, mas pela exposição que a personagem feminina objetificada possui. É a mulher que é detalhada em corpo, desejo, submissão, suspiros e etc. Não vemos o personagem masculino (em números) com igual exposição nos livros. Em capa de livro até pode rolar, mas no interior é a “coisa mulher que é tomada em êxtase pelo carinha”.

Outro questionamento que acredito que a pergunta de Ellen carrega é se há necessidade de certas coisas. Que criatividade é essa que sempre gira e volta no mesmo lugar? O teste não deseja objetificar ao contrário, mas questionar a necessidade e o consumo desse tipo de produto.

Acho que vale a pena pensar sobre isso, o discurso de somos todos iguais, humanos é muito bonito, mas na prática ele está muito longe de ser verdade, a escrita, os filmes, a vida nos mostra que alguns parecem ser mais humanos que outros, que uns merecem mais espaço e representatividade que outros.

O que está posto é que existe uma lógica hierárquica na escrita que expõe os lugares de algumas identidades, o horror ao se trocar a cor de um personagem, o sexo, o tipo de exposição.

E chegamos ao momento de perguntar…

E Brasil 2408? Dá para mudar e manter
o sentido da estória?

E a resposta que tenho é SIMMMM!!!

Pensei na estória do início ao fim e vi que sim, dá para mudar e nada será alterado.

Aplicando a inversão: Ena é a versão feminina dos nomes africanos Eno/Enam, então a mãe dela seria uma Alto Oficial que morreu como heroína no atentado e seu pai seria o Chefe do CCDP.

Avaliei que nenhuma situação ligada aos personagens no livro 1 ou 2 sofreria abalo ou estranheza em sua estrutura, a coesão se manteria e isso é uma ótima notícia.

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