Teste Russo: Por uma representatividade LGBT não estereotipada

Depois de um intervalo para descanso, voltamos hoje com mais uma avaliação de representatividade, o teste Russo que analisa a  presença LGBT no cinema, mas quem disse que não pode ser utilizado na literatura?

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Mas que nome é esse?

O nome do teste é uma homenagem a Vitor Russo, um dos fundadores da  GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation /Aliança Gay e Lésbica Contra a Difamação) em 1985.

Conheça o site da GLAAD.

Mas a título de esclarecimento, a sigla LGBT (ou LGBTTT) significa  Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (diferente do termo que se aplica na identificação das identidades de gênero – cisgênero/transgênero que vem sendo usados de forma reduzida cis/trans e que devem se normalizar assim para impedir a confusão entre as definições).

  • Qualquer correção a ser feita, me informem…

 

E vamos aos 3 pontos… (traduzidos livremente do texto original)

1 – O filme contém uma personagem que é identificadamente lésbica, gay, bissexual ou transgênero.

2 – Esse personagem não deve ser definido unicamente ou predominantemente por sua orientação sexual ou identidade de gênero (isto é, eles são compostos do mesmo tipo de traços de caráter comumente usados para diferenciar personagens não transgêneros, um do outro).

3 – O personagem LGBT deve ser amarrado na trama de tal forma que sua remoção teria um efeito significativo, que sua existência não estão lá para simplesmente fornecer comentários coloridos, pintar a autenticidade urbana, ou (talvez mais comumente) criar um “punchline”, gíria para piada, concluir uma piada. O personagem deve ser importante.

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Vale visitar a página do teste (em inglês)

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Mas antes de entrar no tema, vamos à outra informação, o que é o termo cis e trans, que explico de forma bem resumida (como entendi…)

cis/cisgênero  é a pessoa que se identifica com as características de gênero que possui desde o nascimento.

trans/transgênero é a pessoa que não se identifica com as características de gênero que possui desde o nascimento.

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Não sei se expliquei bem, mas geralmente as identidades que nos atribuem no nascimento são apenas duas, masculino e feminina, mas há outras identidades de gênero e muitos pais nessa fase de amadurecimento psicológico da criança trans, como lemos aqui e ali não sabem lidar com essa identidade, o que causa muitas vezes um sofrimento terrível. Espero ter conseguido explicar.

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Update – 18/mar: Lendo um artigo para leigos se aprofundarem no assunto, descobri que existem algumas situações em que uma pessoa trans pode se identificar cis. Outra questão é que tem gente que confunde o termo trans/transgênero com as identidades Transgêneros, percebeu o T maiúsculo? Viu o plural? Então fixe na sua mente que o termo T da sigla LGBT se refere à muitas identidades Transgênero.
Para compreender melhor, leia o artigo – 12 coisas que você queria saber sobre trans e não tinha para quem perguntar.

Adendo: Você, assim como eu que nasceu cis/hétero- escritor/escritora ou não, por favor, não tente sentar no banco do motorista do movimento LGBT e com a mais consagrante cara de pau virar para atrás e tentar impor o que acha ser as identidades transgênero/transgêneras. Tenham isso como um mantra, mostre  respeito ao tratar a questão das pessoas trans. Obrigada!

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Na história do mundo, antiga ou recente sempre mostrou ter horror às identidades trans, o que me faz lembrar de 2 filmes bibliográficos que gosto muito, Milk e O Jogo da Imitação.

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E não posso esquecer do mais recente, vencedor do Oscar de Melhor Filme, Moonlight.

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Ser trans NÃO é uma questão de escolha, como infelizmente muita gente mal informada ou ruim mesmo diz.

A identidade de gênero é aquela que vai se fazendo presente conforme você vai se dando conta de quem é no mundo, por exemplo, eu, conforme fui crescendo, vi que a minha identidade de gênero é a de uma mulher, cis e racialmente negra. E eu não compreendi isso apenas por que me disseram, mas porque socialmente você é confrontado e assim descobre quem você é…

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E nos filmes?

Bem… conforme os dados na página da GLAAD, a coisa não está nada boa, o que impera são os estereótipos e conforme dados em 2016 houve uma queda representativa, mas acredito que só avaliaram filmes americanos, pois o texto dá esse entendimento.

“8 dos 22 filmes de estúdio (36%)  passaram no teste Vito Russo este ano, o menor percentual na história deste estudo, comparado a 11 dos 20 filmes (55%) lançados em 2014, 7 de 17 (41% ) em 2013, e 6 em 14 (43%) filmes inclusivos
lançados em 2012.”

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Outro ponto nevrálgico sobre representatividade é compreender que mulheres cis, negros e trans querem ser representados de forma séria continuamente, não queremos um filme hoje e no ano que vem outro. Essa é a questão, nos tratem como pessoas que podem ser o heroí ou a heroína cis/trans, racial/étnico de todos e todas, pois o teor psicológico de um indivíduo cis ou trans, branco/negro ou de uma outra identidade étnica é o mesmo.

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Acho que vale a pena fazer um artigo sobre o subtendido das palavras.

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Mas caso ainda não tenha entendido, imagine a Katniss, ela seria menos “Katniss” se fosse trans?

Não, ela ainda seria a Katniss que diz para os distritos apontarem as suas armas para o Snow, mas eu não quero uma versão dela negra e nem da Hermione negra, pois elas foram forjadas como brancas por suas autoras e não há problema nisso, mas o que precisamos é fazer como a Simone Biles que nas olimpíadas respondeu a um repórter, mais ou menos assim…

“Eu não sou o próximo Usain Bolt ou
Michael Phelps.
Eu sou a primeira Simone Biles”

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É o que precisamos entender, a minha querida Ena está aí, uma personagem forjada como uma mulher-cis-negra, mas é pouco, que venham outras mulheres negras, homens negros, LGBT em duologias e trilogias, livros únicos com heróis e heroínas para todos e todas. É isso!

Olha o subtendido aí de novo, tenho que falar sobre isso…
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Mas e Brasil 2408? Passa no Teste Russo?

Sim, (In)Verdades passa no teste, existe uma personagem LGBT linda e com o seu arco narrativo, ela é ligada à Ena, mas não posso dar mais detalhes senão vou dar um BIG spoiler, mas ela é representativa, forte, seu legado passa pelo o que ela faz, sua voz é ouvida pelo leitor, sua presença é destacada e definitivamente ela é indivisível do enredo.

Tudo bem… vou dar uma dica pequenina, estilo Aghata Christie…

Ela está presente, início, meio e fim,
ora você vê, ora não…
mas quando você a vir chegar,
mesmo que não tenha partido,

prepare o seu coração.

Adoro !!!!

 

E agora vamos aos resultado do teste…

 

E até o próximo teste… faltam 2!

Aproveite o final de semana e leia os 4 capítulos que disponibilizei online em pdf, mobi e epub para que tenha a chance de sentir que  a representatividade é mais que possível.

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Prólogo + 4 capítulos

em pdf – https://goo.gl/J0SJjU

em epub – https://goo.gl/SDA4nm

em mobi – https://goo.gl/7Onhu5.

 

E não deixe de ler o artigo que inicia a série – 8 Olhares que vão desnudar o seu livro.

Livro disponível em e-book e fisíco.

 

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