Afrofuturismo: O herói e a heroína negra tem raízes (parte 1 de 3)

Afrofuturismo…

Não, não é uma palavra que combina a ideia de negros e futurismo, nem pensar… muito longe disto. O seu propósito vai além, propõe uma face negra de aspectos e ancestralidade africana e isso é sem igual.

Este é o primeiro artigo, farei um total de 3 sobre o tema: um sobre a minha obra e outro de aspectos a se repensar, como fazer na prática com exercícios de produção criativa.

Abaixo temos a imagem mais significativa do Afrofuturismo, a capa de um livro do autor americano Ytasha L. Womack’s – Afrofuturism: The World of Black Sci-Fi and Fantasy Culture (1990) que fala, explica o conceito, a filosofia, a estética, a essência e aponta inúmeros artistas em todas as áreas e épocas que fazem uso não só de elementos, mas resgatam a cultura africana e/ou afrodiaspórica dentro da sua inserção, lugar, estar e representar.
Afrodiáspora significa a condição negra fora da África, os negros e suas raízes pelo mundo.

 

E para apresentar melhor a ideia imagine que quero criar um mundo totalmente fictício, que características eu inseriria? Africanas, diaspóricas… mas para compreender melhor e até vislumbrar segue a imagem abaixo do artista Bodys Isek Kingelez/Congo. Essa exibição apresentava um imaginário futurista, imagine poder ver assim, em maquete… adoraria.

Visite e veja mais em http://africanah.org/bodys-isek-kingelez-congo/

E que tal visitar uma apresentação afrofuturista no museu de Tel Aviv (Israel)? – http://www.africa-tamuseum.org.il/artist/bodys-isek-kingelez/

E claro, imaginar o futuro ou o presente pode ser uma grande viagem.


E talvez você precise de uma trilha sonora para isso…

Nos poucos exemplos acima dá para notar que a estética do afrofuturismo pede um resgate cultural consciente e inconsciente de uma raiz existencial cheia de possibilidades, a África.

Usar elementos africanos significa apresentar um outro tipo de estética, não substituir, mas acrescentar no mundo a visão africana, afrobrasileira, afroperuana,  afrochilena, afrocubana e por aí vai… tem a ver com mostrar aspectos negros como naturais, tão comuns como a nórdica, a europeia, a japonesa, sem exotismo, pois não se trata de moda. É uma cultura, um continente inteiro que teve seus filhos e filhas arrancados, espalhados, amontoados e que apesar de tudo, manteve e mantém o seu espírito guerreiro e com muito para contar.


Falar, pensar e criar um herói ou heroína de face negra implica em ir além da melanina, você precisa lhe dar cultura e traços negros para se orgulhar, mostrar de várias formas artísticas (literárias, visuais, musicais, etc.) que há um mundo incrível para se inspirar e para provar apresento estas imagens de heróis e heroínas dos mais variados tipos que não vemos todos os dias. Juro que morri de amor e já me vieram inúmeras viagens na mente só de olhar, inspiração pura.

Esse link no Pinterest é uma viagem sem fim, mas se escrever o termo afrotururism vai achar muito mais na internet inteira.
https://br.pinterest.com/pin/423831014917914187/

Vale dizer que o afrofuturismo é antecessor ao seu termo, vem de muito antes, de Dubois, Dumas, Toni Morrison e especialmente Octavia Butler (1947-2006) que é uma escritora negra americana que em pleno meados de 1970 colocou o negro na ficção científica.

Octavia e abaixo, temos o seu primeiro livro a ser traduzido para o português pela Ed. Morro Branco, vai ser lançado no segundo semestre de 2017.

E aproveitem para ler depois esta matéria da Delirium Nerd sobre obras de autoras que vão ganhar o cinema e a televisão.

Mas vale aqui também repensar o propósito da presença negra e aí você precisa resgatar os princípios do matriarcado, da ciência, política e matemática negra, ir na fonte e descobrir que a história que você conheceu na escola e na faculdade está e muito deturpada.

Essa Linha do Tempo Africana produzida pelo IPEAFRO, instituição carioca de Abdias Nascimento (no Orun) e Elisa Larkin mostra só um pouco do muito mais sobre o mundo que vale a pena se aprofundar.

Acesse: http://ipeafro.org.br/acoes/pesquisa/linha-do-tempo-e-suplemento-didatico/

Clique na imagem para vê-la maior, use o duplo clique, a rolagem do mouse, ou os botões na tela. Para mover a imagem, basta arrastar.


Juro que eu sonho em ter esta apresentação na minha
parede beeeeem grande.

….

E que tal conhecer o verdadeiro pai da medicina?
O egípcio negro Inhotep.

Acho que até aqui você tem muito o que ver, ler e repensar sobre a história negra.

Imagine se eu fosse entrar no assunto da coleção Sankofa…

Então é isso… tenham um final de semana cheio de conhecimento e no próximo artigo, dia 10/jun falarei sobre a importância de se ter raízes e como a representação em suas várias vertentes pode te dar um mundo inteiro de possibilidades.

De exemplo vou usar a minha obra, a Duologia Brasil 2408.

 

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