A-ha!!!!!

E vocês pensando… lá vem textão, hoje não, mas tem muita palavra, isso tem, mas textão não…

E em minha defesa eu só faço textão elucidativo e explicativo, por isso não falta material de download neles. E cá estou eu entre os detalhes da Bienal para sair linda, a busca por emprego, bicos e contos, este último um campo de inspiração negra de inúmeras possibilidades.

Eu estou com uma lista de livros para ler, tudo muito bom (Defeito de Cor, Raizes, Aia, Xinran, Contato, Mandela, Hibisco, Jubiabá, A mão Esquerda e outros), mas aí eu começo a ler sobre matemática no continente africano, Egito, simbologias próximas do Adinkra e lá estou eu inspirada para escrever um conto, terminar um outro parado, escrever outro.

Eu chamo isso de Inspiração Negra. É como se tudo ao que eu tivesse acesso me trouxesse um imaginário, uma possibilidade e isso me fez pensar sobre os anos que fiquei com dificuldades para escrever. Seria mesmo dificuldade ou era falta de raízes mais fecundas? De um lugar onde me apoiar?

Mas a escrita não é para mim um lugar só de flores, o sofrimento, a morte e terrores devem ser registrados para lembrarmos dos que ficaram perdidos na história, nem lá, nem cá, mas em ambos estes lugares por séculos foram desfeitos de sua história e origem também. Isso também deve ser contado.

Acredito que a literatura pode ajudar a colocar aquele que estuda a história nos olhos daquele que viveu um dado momento, especialmente se falamos de África, diáspora africana e o resgate desses personagens ou do que viveram.

Mais efetiva ainda é a literatura com alguma base histórica sob o senso comum que não tem mais a falta de informação para se apoiar.

Tem sido uma experiência forte adentrar este lugar e dar voz a um momento, uma vida.

E dessa vez, o conto será sobre uma foto da época da colonização/ocupação do Congo pela Bélgica de leopoldo II, o Monstro Belga que promoveu um Holocausto Negro matando mais de 6 milhões de negros e para dar a real noção do horror, abaixo segue a foto de uma das práticas mais abomináveis, a Colheita de Mãos – ato de cortar especialmente mãos e pés daqueles que não obedeciam ou resistiam, mas na verdade faziam por gosto, um ato abominável que jogou gerações e mais gerações num ciclo de anti-reconstrução enquanto nação sem fim. Mas esse ato terrível não começou de imediato, ele foi adentrando em meados de 1870 com um discurso e chegou a intitular o país como Estado Livre do Congo (?) para em meados de 1885 começar o Holocausto Negro que só teve fim em termos… em 1908, mas… a exploração de recursos continuou, agora com menos alardes a fluir para este país.

Importante frisar aqui, o Congo só alcançou a liberdade da exploração belga em 1971, mas…

Tem mais sim, muitas descobertas históricas feitas na África estão em Museus da Bélgica, o Osso de Ishango é uma destas…

Olha aí a réplica exposta na porta do museu em Bruxelas.

E para trazer voz a este momento, resolvi escrever um conto baseado na foto de um pai olhado para a mão e pé de sua filha cortados. O que será que ele estava pensando em relação ao futuro de sua menina? Haveria um futuro? O que sabemos é que não houveram muito e muitos futuros…

E para explicar melhor isso, o livro indicado de quarta será A África que Incomoda do afrocubano Carlos Moore que eu tive a alegria de conhecer na Bahia e ter o meu exemplar autografado.


Ele foi assistente do Cheikh Anta Diop, mas é melhor que leiam a reportagem no Geledés – clique aqui.

Como se desfaz uma nação? Será o tema de quarta, dia 28 de junho.

 

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