Esse artigo não é nenhuma receita para se dar, pois se a mesma existisse não veríamos todos os anos uma nova técnica surgindo, quer dizer… a mesma lógica com um nome diferente e cara por demais, mas algumas coisas fazem sentido, não importa o nome dado, o um dia após o outro é sempre o melhor caminho.

Como autora independente e leitora também fico me perguntando onde posso melhorar, mudar e o que vejo acontecer e não acontecer.

Como podemos melhorar o nosso marketing, presença ao público? E como o público pode colaborar com isso?

Não tenho receitas, mas quando penso em representatividade e a literatura feita por outras vozes, a que chamamos de marginalizadas, da margem, periféricas fico pensando se não podemos até certo ponto entrar no jogo midiático, fazer a nossa presença no mercado, nada de um dia para o outro, mas como já disse, de um dia após o outro.

Passando para o lugar de leitora gostaria de convidar vocês a viajarem nas minhas curiosidades, coisas que acredito que autoras(es) em busca de construir um lugar precisam pensar ou que grupos que querem ver mais diversidade na literatura precisam reavaliar.

E a melhor forma de demonstrar minha curiosidade é apontando para certas mídias que ignoramos, mas que não sei dizer por quê, principalmente se ela é uma fonte enorme de divulgação, indicativa, o que significa leitores a vista.

Nada do que venhamos a fazer será do tamanho de uma editora com recursos, que fique claro, mas acho que nem queremos a mesma política, logo podemos e devemos fazer novos caminhos, isso é fato.

SKOOB
Essa é uma rede de leitores altamente ignorada, sempre falamos de representatividade, invisibilidade e aí fico pensando, qual a contribuição que damos do nosso lugar de leitora/leitor quando deixamos de apresentar e falar de um livro nas redes sociais.
O Skoob é um aplicativo onde fazemos a nossa lista de leitura, o que lemos, deixamos de ler e o que achamos ou não de um livro, mas admito que fico surpresa ao perceber que às vezes o nosso discurso é presente, mas a nossa escrita a favor não.

Peguei três exemplos de livros escritos por mulheres, mas será que vocês perceberam o sutil ou escandaloso detalhe apresentado?
Olhos D´água (Conceição Evaristo) – 485 leram, 118 lendo e 14 resenhas.
Defeito de Cor  (Ana Maria Gonçalves) – 250 leram, 100 lendo e 25 resenhas
Outros jeitos de usar a boca (Rupi Kaur) – 1617 leram, 143 lendo e 35 resenhas

Se pensou em editora errou feio, eu peguei 3 livros super comentados, citados aqui e ali assim como suas autoras, mas me chama a atenção a baixa marca de leitura e pior ainda, a pouquíssimas resenhas e se falamos em representatividade, vale perguntar… onde está a nossa contribuição como leitora/leitor que quer mais amplitude, mas que deixa passar a chance de registrar para uma imensidão o que achamos de certo livro? Post some, mas resenhas ficam…

Você pode até dizer que não é obrigado a se cadastrar em rede alguma, ok, mas como se apoia um mercado independente ou autoras de um mercado diferenciado sem ajudar a expô-los? Acho que fica complicado.

Um exemplo… Harry Potter e a Pedra Filosofal – 320 mil leram, tem umas 1700 resenhas e 120 mil avaliações, tradução: uma taxa de 34% de avaliações é sucesso, não pela nota em si, mas pelo desejo orgânico de ir lá marcar, favoritar, isso mostra intenção e interesse, logo isso conta pois não te pediram, você foi lá e fez por desejo pessoal. Isso é interesse de público, então existe público.

Já visitaram o blog? Sabiam que existem grupos onde se pode fazer um livro viajante (Book Tour)?  –   https://blog.skoob.com.br/
Ótimo lugar para experimentar o seu conteúdo, de início não será flores, mas é um caminho que melhora e a opinião é explicita e pessoal. Que autor/autora não quer isso?

FACEBOOK, INSTAGRAM, TWITTER, GOOGLE+, ETC. e ETC.
Vivemos numa realidade de mídias sociais presentes e influentes, onde um comentário, uma indicação conta.
Muita gente não se aventura em livro sem indicação, passeio sem nota, e hospedagem aonde quer que seja sem ver um histórico, nem pensar… todos nós damos valor ao nosso dinheiro, queremos saber de quem já experimentou, foi, a sensação tanto de uma entrega, box surpresa, livro, comida, etc.

No mundo midiático da internet, o Google é rei, tem dúvida, joga lá e algo vai aparecer, mas isso acontece a partir do momento que há menção… mais menção, mais presença.
Quer um exemplo? Escreva as combinações abaixo, cole e veja a mágica…

heroína negra 2408
primeira heroína negra duologia nacional

A menção não me faz famosa, não vendo inúmeros livros, mas quer me pesquisar? Estou lá… minha duologia está lá, o que produzo está lá, a fala dos parceiros está lá, meu esforço e de pessoas que gostam do livro está lá. Tudo é opinião ou matéria dada, não comprei, gostaram e apresentar isso é muito bom, um caminho feito de tijolo em tijolo.

Temos que ir nas redes sociais onde o povo está, mas só a que conseguimos realmente lidar, não force espaços, busque aquelas onde se sinta a vontade e verá que existe um caminho para apresentar o seu trabalho e ser reconhecido. Nada mais revigorante que ter alguém que você não conhece comprando o seu livro e comentando, isso é orgânico, um desejo, um apoio, uma leitura, uma opinião. Agradeça sempre e faça pelos autores que lê também… aliás, devo uma resenha à Conceição Evaristo, pois cada menção leitora é importante, postagens somem, mas resenhas são eternas.

Resenhe os livros que leu, apoie essa literatura das margens que você tanto quer ver lida, comentada, eternize a sua opinião, indique. Isso é poder e apoio eterno.

Toda produção precisa de um “medidor” de presença, sucesso, qualidade senão não conseguimos descobrir se está interessante ou não.

Mas certas mídias são registros de interesse e gostos, coisa que o facebook com o seu novo e estranho algoritmo deixou de nos proporcionar como quem lê ou quer ser lido.

Se vocês entrarem no face do meu livro, verão poucas curtidas, mas o que o face não mostra – mais – publicamente são as “pessoas alcançadas” quando você compartilha um link e pior, muitas vezes nem quem curte e segue a sua página vê o que foi postado e pior ainda, quando pagamos por um anúncio mínimo de alcance de 100 pessoas num universo de 400, vemos que o público curte numa média de 20 a 40%, pode parecer pouco, mas pense… se cada post seu aparecesse na lista de atualizações, de quantas curtidas estaríamos falando, totalmente orgânicas?
Sei que o assunto parece técnico, mas no frigir dos ovos o recado é… comentar é necessário, mencionar é necessário e registrar o seu gosto é mais necessário ainda, coisa que a geração mais jovem faz brincando. Isso gera dados de interesse, propagandas voltadas para personas (público mais específico) e abertura de mercado. Precisamos abrir o mercado da margem, falar mais, comentar mais, indicar mais e favoritar mais ainda…

Diga-me o que lês e vou deixar na minha lista de
interesses para ler/comprar assim que puder.

Nos novos tempos, ser visto na multidão através de alguma lupa é indispensável, pois temos mídias e não vemos tudo o que marcamos seguindo, logo dispomos de meios e canais que nos propiciem presença, os canais literários, influenciadores goste você ou não, mas espero que goste, pois são caminhos abertos para qualquer um, desde que tenha jeito para a coisa. Eu vou dar um exemplo… comprei meus dois últimos e-books sobre literatura africana através de um post num grupo de leitores que divulgava, a pessoa que postou não ganhava nada, apenas queria dividir a informação, que outros comprassem assim como ela comprou e eu passei adiante.
Não parece nada demais, mas se você fosse a empresa, veria o nível de comentário, menção, curtida, compartilhamento e isso é um indicador de interesse do público, totalmente orgânico.

Bendito mediador/ Bendita mediadora
Gosto de chamar assim a leitora, o leitor que compartilha um post falando de um livro, quando isso acontece é uma vitória, pois ali está uma manifestação de interesse orgânico, mas como autora de um livro, colaboro para que isso aconteça, pois não apenas produzo conteúdo para suprir a falta de um setor de marketing de uma editora, não tenho, eu produzo conteúdo para expressar a minha opinião, gostos, ideias e proximidade com o leitor/leitora, pois como tal gosto disso também e vendo as coisas por ambos os primas, a gente aprende que um mercado de margem precisa se expor e ser exposto, diferente, mas precisa dizer quem é, a que veio, dar a cara a tapa e principalmente… pedir e agradecer. 

Autoras e autores? Querem um outro lugar literário? Mais humano, próximo? Onde enxerguem a sua perspectiva, entendam a sua voz? Se divulgue e se deixe conhecer…

Leitoras e leitores? Querem aumentar a visibilidade da produção das margens? Então se add. ao menos num grupo literário e divulgue, publique, ajude a fazer acontecer.

Não há milagres, só ações de ambos os lados…

ps: Tenho enveredado pelo mundo dos contos. Quer conhecer? Acesse Contos.

E brevemente mais informações sobre o lançamento da Duologia na Multi de Queimados/RJ dia 15 de julho e a Bienal do Livro/RJ.

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