Eu achei legal: Onde Está Segunda?

Um filme de ficção científica que faz você ver muitas possibilidades, mas no formato de filme feito para a Netflix ficou bom, as escolhas ficaram de andamento ficaram redondas e vale ser assistido.
Logo no início, o filme nos mostra complicações alimentares, poluição afetando o ecossistema e a agricultura, manipulação genética e aí o que acontece… um caos de crianças gêmeas nascendo aqui e ali, o que leva ao caos, que origina a lei.

Onde está Segunda se passa numa realidade não muito distante onde a população chegou ao limite ocupacional, temos crise atrás de crise e é instituída a Lei do Filho/Filha Único por Nicolette Cayman (Glenn Close), obrigatória, sem reclamação, e mais… se houver irmãos eles serão criogenados. Então veja o desespero.

A ideia do filho único num futuro não é nova, já li e até coloquei na minha Duologia Brasil 2408, mas baseada em outros motivos, porém uma “realidade” de muitas possibilidades. Lá criei um sistema de acompanhamento, adoção familiar e… no filme não, a coisa gira em torno do “dá o seu jeito e ai se eu ver outro por aí…”

A ideia de uma lei assim pode assustar, mas quando pensamos nos limites de tudo, nos perguntamos se ela é tão horrível assim. Será que ainda a veremos existir num modelo mais “restrito”? Nem estou discutindo regras, o que deve acompanhar ou não, se vai acontecer, mas pense no seguinte: temos 8 bilhões de pessoas, todas pensam na liberdade, igualdade e fraternidade para seus filhos, ou não e então vem as brigas por lugar, comida, fila de 300 pessoas para 1 vaga e então… como vai ser? Que pirão será enchido primeiro? De quem chegar primeiro, empurrar mais forte, matar primeiro… e quando pensamos nisso? Somos o que empurra ou o empurrado? Um dia teremos opção se quisermos sobreviver? O que estamos fazendo para que este dia de escolher, ou não, nunca seja uma realidade?

E no filme, temos este mundo, onde uma mulher dá a luz em segredo a sete filhas, o avô Terrence Settman (Willem Defoe) fica sem saber o que fazer e olhando para elas, vem a ideia: Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado e Domingo, todas habitando uma única identidade… Karen Settman (Noomi Rapace).

As irmãs são criadas em segredo e só podem ir na rua no dia da semana de seu nome, o avô é rígido, já viu acontecer e as meninas têm medo ao mesmo tempo que gostariam de ter sua vida.

E num sábado onde Karen/Sábado tem um recital na escola, uma delas pula pela janela para andar de skate. Horas depois, em casa, o avô chega e se desespera, batem na porta e ele imagina que o farão escolher entre elas, mas é Karen/Quinta (não lembro, detalhe menor) que caiu do skate e decepou o dedo indicador e então o que fazer? Cortar o dedo das outras 6 irmãs.

Isso mesmo, elas precisam ser iguais, nada pode mudar e detalhe, existe um sistema que acompanha o dia na palma da mão e num bracelete que controla e mostra tudo, mas só para quem tem um certo status, o resto…

E elas seguem com seu 1/7 de vida em frente.

Nessa foto é possível ver que elas não são iguais em casa, mas para sair precisam ser perfeitas, logo têm peruca e o que for preciso para que fiquem idênticas.

Resumindo… Karen Settman é um livro de 7 vidas que precisa combinar em gostos e interesses todos os dias. No início da noite, elas assistem ao vídeo da irmã daquele dia para a próxima saber o que fazer e como viver o seu dia de semana exclusivo.

Há quem veja clichê nelas, mas se pegássemos 7 mulheres na rua e a colocássemos numa casa, não veríamos as diferenças? Não ficaria evidente no vestuário, pensamentos e atitude entre elas? É estranho… falamos que mulheres podem ser o que quiserem ou não, mas vira e mexe alguém vem e tenta definir um tipo que paire entre todas. Que chatoooooooo.

Elas se estressam um pouco, mas sabem que não há opção.

O emprego que dividem num banco as leva a um dia onde será decidida uma promoção no trabalho. Na segunda-feira, o colega com quem Karen/todas disputam a vaga diz à Karen/Segunda algo que a apavora…

“Eu sei o seu segredo.”

E no fim da segunda-feira, Karen/Segunda não volta para casa. Elas ficam em pânico, mas a terça-feira chega e nada acontece, ninguém vem e Karen/Terça (cabelo ruivo acobreado) sai de casa como se tudo estivesse normal para tentar investigar, mas no fim do dia, ela é abordada por pessoas que a levam num carro até Nicolette que sabe quem ela é, e mais uma irmã se vai, some do radar. Agora sim, a coisa fica complicada e soldados aparecem no prédio atrás delas e … assistam. Não falo mais nada diretamente.

O que vemos, claro, é que algumas irmãs morrem em circunstâncias diversas na busca da verdade, pois fica óbvio que a sentença delas é esta, pelo bem do sistema e sua credibilidade política.

Nicolette faz parte da trama, acompanha a missão de “apagamento” das irmãs e uma coisa eu posso dizer a vocês, quando eu imaginei que sabia o que ia acontecer, descobri que não sabia. E então de novo, e no final… temos uma revelação, duas, três na verdade. É sério.

A cena final é legal, respiramos aliviados pelo final feliz, mas quando a câmera se afasta dando uma visão maior, a agonia toma conta e nos pegamos pensando no filme todo, que se resume a uma palavra…

ESCOLHA

Quando li algumas críticas dizendo que não percebiam quem era quem, pensei que o filme era mal feito, mas não, vem uma tela preta e aparece o dia da semana/nome da irmã. Jura que isso confunde?

Durante o filme, os nomes são ditos em alto e bom som, e no caminhar da trama isso persiste, logo muitas críticas feitas foram baseadas em nada, não viram o filme, isso é fato. Não confiem em críticas que não falem o mínimo do filme, não expliquem do que se trata.

Tem quem veja semelhança entre o filme e a série Orphan Black (sobre irmãs-clone) e não há nenhuma, a não ser uma atriz fazendo vários papéis.

E é isso, assista e não vai se arrepender.

 

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